21 de dez de 2009

ODEEEIO...

... quando as pessoas falam "Adoooro!". Pura falta de saber como dar continuidade à conversa. Sem dizer que já foi a época em que isso chegou a ser engraçado. Renovação de vocabulário já!

16 de dez de 2009

PERSEVERANDO NO ERRO

Se Moco for revisor(a), não volta jamais!

15 de dez de 2009

OLHA O MERCHANDISING AÍ, GENTE...

Tá na boca do povo:
“O Cacau é Show”!
Sou Rosas, Rosas de Ouro
Meu sabor te consquistou!

(Ctrl+C ctrl+V do site da Rosas de Ouro)

E pode?

12 de dez de 2009

O CÃO & LE CHAT

Rua São Bento, centro, São Paulo


Rue Saint-Séverin, Quartier Latin, Paris

9 de dez de 2009

ATUALIZAÇÃO URBANÍSTICA

Por que não trocar o nome Rua do Ouvidor, presente no centro velho de tantas cidades Brasil afora, por Rua da Ouvidoria ou mesmo Rua do Serviço de Atendimento ao Consumidor? Uma homenagem dessas seria mais do que bem-vinda para algo tão presente na nossa vida hoje em dia...

3 de dez de 2009

A HORA DA ESTRELA

Fui acordado hoje com a triste notícia da morte da Leila Lopes. Um vazio no estômago bizarro, ainda mais para quem estava na contagem regressiva pro aniversário de dez anos de seu famoso acidente com a Berenice (dia 19 de dezembro de 1999, "uma tarde de domingo linda, maravilhosa, um sol belo, azul, 17 horas").

Leila Lopes foi uma espécie de Macabéa destes tempos de vale-tudo-para-estar-na-mídia. Pena que ela mesma não suportou!

*
Clodovil Hernandes, Michael Jackson, Lombardi, Leila Lopes... meu Deus! De repente todas as referências estão indo embora!

1 de dez de 2009

MODO DE PREPARO

Pegue uma massa encefálica razoável. Não precisa ser a pior, mas também não vá desperdiçar seu dinheiro comprando a melhor. Corte lentamente e reserve. Como recheio, uma medida completa de querer cuidar da vida dos outros e outra de inveja. Misture bem. Aos poucos, acrescente a vontade de sempre se dar bem e de levar vantagem sempre que possível. Ponha também uma porção generosa de querer parecer sofrido. Aliás, pode ser uma porção de querer parecer qualquer coisa. O importante é que queira parecer. Junte a supervalorização do sexo, a pagação de pau pros Estados Unidos e uma dose grande de tendência a ser corruptível (na maioria das vezes este produto vem na mesma embalagem da vontade de sempre se dar bem). Com o recheio colocado em seu lugar, passe para a cobertura. Pincele hospitalidade, simpatia e capacidade de trabalhar mais do que o comum (atenção, não compre a capacidade de trabalhar pelo amor ao trabalho, mas sim aquela originária da falta de questionamento). Para o toque final, polvilhe malemolência, deixando dourar por uns 500 anos. Pronto! Sua receita de cabeça de brasileiro já pode ser servida!

30 de nov de 2009

E MAIÚSCULO INVERTIDO CORTADO

Às vezes me sinto tão assim...


Mas acho que finalmente consegui nomear esse espaço em branco que me rodeia. Chama-se "consciência de que aquilo que eu tanto busco simplesmente não existe". Resta aprender a viver com isso, taurino idiota! Ou procurar entre os números irreais. O problema é que eu não lembro mais como os matemáticos chegaram no conceito da raiz quadrada de -1. E não sei se quero ter aulas com a Sônia de novo...

26 de nov de 2009

O SHOPPING CAÇA-NÍQUEL AGRADECE SUA PRESENÇA, (TROUXA)

Pode ser que quem não mora em São Paulo não esteja sendo bombardeado com as notícias referentes à nova lei estadual que determina a gratuidade dos estacionamentos dos shopping centers por aqui. A lei já estava sendo discutida fazia algum tempo, foi aprovada anteontem e suspensa hoje. Jornalistas entrevistam lojistas, consumidores, políticos, mas ninguém questiona o preço totalmente abusivo dos estacionamentos na capital, sejam eles em shopping ou não. Se você ficar três horas num shopping, vai gastar uns 13 reais de estacionamento. E isso que os templos do consumo não são os lugares mais caros para deixar o carro. Se quiser ir pra Vila Olímpia ou pra avenida Paulista em horário comercial, por exemplo, prepare-se pra tirar uns 20 conto da carteira. Aliás, tem até flanelinha que chega a cobrar (extorquir, raça desgraçada!) essa mesma quantia do motorista. Agora, se o programa for uma balada ou um show à noite, você ficará, no mínimo, 30 reais mais pobre.

O pior de tudo é que o serviço de estacionamento é lamentável em todas as partes da cidade. Cobram essa fortuna e ninguém se responsabiliza por porra nenhuma. Nem por arranhões, nem por eventuais furtos, nada! Isso quando o valet não deixa seu carro estacionado num lugar proibido e, além de pagar os reais do serviço, você ainda ganha de brinde uma multa.

Por isso que eu odeio pagar estacionamento. Vai muito além da minha pão-durice. Tudo bem que o desconforto é inevitável. Muitas vezes paro a uns dez minutos a pé do lugar aonde pretendo chegar. E claro que isso também já me rendeu alguns estepes e rádios roubados, vidros quebrados, até mesmo os limpadores de parabrisa já me levaram. Mas não pretendo abandonar esse hábito enquanto essa palhaçada continuar vigorando na cidade. (Sendo realista, acho que vou acabar vendendo o carro antes mesmo de essa mudança chegar a acontecer.)

Esperemos então que alguém tenha a brilhante ideia de proibir o abuso de preços de estacionamento em geral, em vez da cobrança específica em shopping centers. Ou será que antes disso vão aprovar a mudança de nome do Ibirapuera para Parque Michael Jackson, como quer Agnaldo Timóteo?

24 de nov de 2009

LONDON, PARIS, MUNICH, ROME...

Um dos meus assuntos preferidos, muitos já sabem, é a arte de nomear as coisas. A criatividade humana (ou a falta dela, em muitos casos, talvez a maioria) é algo realmente fascinante. E esse assunto pode se estender pelos mais diversos campos, muitos deles totalmente abstratos, como, por exemplo, a partir de que momento ficadas constantes passam a se chamar namoro.

Mas também me surpreendo com nomes de programas de televisão, de objetos (ainda mais quando consigo encontrar similitudes ou oposições entre os idiomas), de pessoas (ninguém se esquece de uma Marilândia, professora de português)... Sem falar que conheço um cara que trabalha numa famosa loja de decoração e é responsável por inventar aqueles nomes bizarros de cores, como rústico dijon, old marrom, deserto e camelo, estas duas últimas com-ple-ta-men-te diferentes entre si.

Antes de viajar pra Itália, ainda na época do planejamento do itinerário, me surpreendi com a quantidade de nomes tirados sem dó nem piedade das cidades da Bota para batizar qualquer coisa. E olha que não estou falando exclusivamente de pizzarias e restaurantes de comida italiana. Além de Spoleto e Livorno, tem Arezzo, Siena, Monza... Sem falar na infinidade de nomes como Modena, Torino e Verona para roupeiros e cômodas vendidos nas lojas do populacho. Aliás, nesse mesmo segmento, não são só as cidades italianas que reinam, mas todo e qualquer lugar europeu. Quem nunca viu por aí uma propaganda de saldão do sofá Málaga? Ou seria uma linha de cozinha? Se bem que tem também a caríssima poltrona Barcelona, vendida nas lojas mais sofisticadas. Outro dia vi ainda o guarda-roupa Ibiza, das Casas Bahia. Até pensei que seria este um excelente presente pro Lucas! Certamente sairia bem mais em conta que uma semana na ilha espanhola... Mas aí, acho que o móvel teria de vir com uma pequena adaptação, pois o Lucas merece!

Eis a minha versão de presente para ele:

12 de nov de 2009

NATALE IN ANTICIPO

Quando eu era criança, minha época favorita no ano era, sem dúvida, o Natal. Mal podia esperar a primeira semana de dezembro para montar a árvore em casa. Isso, lógico, quando minha mãe estava de alto astral. Porque tinha ano em que ela falava que não ia montar porra nenhuma e eu e minha irmã tínhamos de ficar quietos. Só que, muito além dessa coisa familiar, que nunca foi muito minha praia mesmo, eu gostava do Natal porque parecia que a cidade inteira ficava com um clima tão diferente! Era difícil explicar...

Mas aí a infância acabou, o século mudou e o Natal passou a ser uma coisa qualquer. Chegava dezembro e já se começavam a cortar e dobrar papeizinhos na firrrma pra fazer amigo secreto, já se viam as luzezinhas penduradas nas ruas, os velhos de barba branca e roupa vermelha nos shoppings... Mais do mesmo! E essa repetição, misturada com aquela histeria coletiva na busca de um fim de ano arrebatador, passou a dar no saco.

E eis que neste ano parece que a coisa degringolou de vez. Não sei se consequência da vida ansiona na metrópole ou não, mas tudo aquilo que era restrito ao mês de dezembro já está agora nas ruas desde o começo de novembro. Bizarro! Bastou passar o que se considera halloween pra já aparecerem nas sacadas os primeiros papais noéis pendurados. Desse jeito, daqui a uns anos o Natal vai começar a ser comemorado junto com o Carnaval. Quem sabe até a árvore já não vem montada no carro abre-alas. Se bem que, se isso tudo garantir um estoque interminável de panetone nas lojas, eu até agradeço!

9 de nov de 2009

CARTA AO ZÉZIM

Porto, 22 de dezembro de 1979

Zézim,

cheguei hoje de tardezinha da praia, fiquei lá uns cinco dias, completamente só (ótimo!), e encontrei tua carta. Esses dias que tô aqui, dez, e já parece um mês, não paro de pensar em você. Tou preocupado, Zézim, e quero te falar disso. Fica quieto e ouve, ou lê, você deve estar cheio de vibrações adeliopradianas e, portanto, todo atento aos pequenos mistérios. É carta longa, vai te preparando, porque eu já me preparei por aqui com uma xícara de chá Mu, almofada sob a bunda e um maço de Galaxy, a decisão pseudo-inteligente.

Seguinte, das poucas linhas da tua carta, 12 frases terminam com ponto de interrogação. São, portanto, perguntas. Respondo a algumas. A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): "Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda".

Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.

Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentem ente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.

Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.

Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.

Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.

Pausa.

Quanto a mim, te falava desses dias na praia. Pois olha, acordava às seis, sete da manhã, ia pra praia, corria uns quatro quilômetros, fazia exercícios, lá pelas dez voltava, ia cozinhar meu arroz. Comia, descansava um pouco, depois sentava e escrevia. Ficava exausto. Fiquei exausto. Passei os dias falando sozinho, mergulhado num texto, consegui arrancá-lo. Era um farrapo que tinha me nascido em setembro, em Sampa. Aí nasceu, sem que eu planejasse. Estava pronto na minha cabeça. Chama-se Morangos mofados, vai levar uma epígrafe de Lennon & McCartney, tô aqui com a letra de Strawberry fields forever pra traduzir. Zézim, eu acho que tá tão bom. Fiquei completamente cego enquanto escrevia, a personagem (um publicitário, ex-hippie, que cisma que tem câncer na alma, ou uma lesão no cérebro provocada por excessos de drogas, em velhos carnavais, e o sintoma — real — é um persistente gosto de morangos mofados na boca) tomou o freio nos dentes e se recusou a morrer ou a enlouquecer no fim. Tem um fim lindo, positivo, alegre. Eu fiquei besta. O fim se meteu no texto e não admitiu que eu interferisse. Tão estranho. Às vezes penso que, quando escrevo, sou apenas um canal transmissor, digamos assim, entre duas coisas totalmente alheias a mim, não sei se você entende. Um canal transmissor com um certo poder, ou capacidade, seletivo, sei lá. Hoje pela manhã não fui à praia e dei o conto por concluído, já acho que na quarta versão. Mas vou deixá-lo dormir pelo menos um mês, aí releio — porque sempre posso estar enganado, e os meus olhos de agora serem incapazes de verem certas coisas.

Aí tomei notas, muitas notas, pra outras coisas. A cabeça ferve. Que bom, Zézim, que bom, a coisa não morreu, e é só isso que eu quero, vou pedir demissão de todos os empregos pela vida afora quando sentir que isso, a literatura, que é só o que tenho, estiver sendo ameaçada como estava, na Nova.

E li. Descobri que ADORO DALTON TREVISAN. Menino, fiquei dando gritos enquanto lia A faca no coração, tem uns contos incríveis, e tão absolutamente lapidados, reduzidos ao essencial cintilante, sobretudo um, chamado "Mulher em chamas". Li quase todo o Ivan Ângelo, também gosto muito, principalmente de O verdadeiro filho da puta, mas aí o conto-título começou a me dar sono e parei. Mas ele tem um texto, ah se tem. E como. Mas o melhor que li nesses dias não foi ficção. Foi um pequeno artigo de Nirlando Beirão na última IstoÉ (do dia 19 de dezembro, please, leia), chamado "O recomeço do sonho". Li várias vezes. Na primeira, chorei de pura emoção - porque ele reabilita todas as vivências que eu tive nesta década. Claro que ele fala de uma geração inteira, mas daí saquei, meu Deus, como sou típico, como sou estereótipo da minha geração. Termina com uma alegria total: reinstaurando o sonho. É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando. Leia, me diga o que acha. Eu não me segurei e escrevi uma carta a ele dizendo isso. Não sou amigo dele, só conhecido, mas acho que a gente deve dizer.

Escrevendo, eu falo pra caralho, não é?

Aqui em casa tá bom. É sempre um grande astral, não adianta eu criticar. O astral ótimo deles independe da opinião que eu possa ter a respeito, não é fantástico? A casa tá meio em obras, Nair mandou construir uma espécie de jardim de inverno nos fundos, vai ligar com a sala. Hoje estava puta porque o Felipe não vai mais fazer vestibular: foi reprovado novamente no 3º colegial. Minha irmã Cláudia ganhou uma Caloi 10 de Natal do noivo (Jorge, lembra?), e eu me apossei dela e hoje mesmo dei voltas incríveis pelo Menino Deus(?). Márcia tá bonita, mais adultinha, assim com um ar meio da Mila. Zaél cozinhando, hoje faz arroz com passas para o jantar.

Povos outros, nem vi. Soube que A comunidade está em cartaz ainda e tenho granas pra receber. Amanhã acho que vou lá.

Tô tão só, Zézim. Tão eu-eu-comigo, porque o meu eu com a família é meio de raspão. Tá bom assim, não tenho mais medo nenhum de nenhuma emoção ou fantasia minha, sabe como? Os dias de solidão total na praia foram principalmente sadios.

Ocê viu a Nova? Tá lá o seu Chico, tartamudeante, e uma foto muito engraçada de toda a redação — eu com cara de "não me comprometam, não tenho nada a ver com isso". Dê uma olhada. Falar nisso, Juan passou por aqui, eu tava na praia, falou com Nair por telefone, estava descendo de um ônibus e subindo noutro. Deixou dito que volta dia três de janeiro ou fevereiro, Nair não lembra, pra ficar uns dias. Ficará? E nada acontecerá. Uma vez me disseram que eu jamais amaria dum jeito que "desse certo", caso contrário deixaria de escrever. Pode ser. Pequenas magias. Quando terminei Morangos mofados, escrevi embaixo, sem querer, "criação é coisa sagrada”. É mais ou menos o que diz o Chico no fim daquela matéria. É misterioso, sagrado, maravilhoso.

Zézim, me dê notícias, muitas, e rápido. Eu não pensei que ia sentir tanta falta docê. Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia, fazer os documentos todos. Até pensei: mais adiante, quando já estivesse chegando a hora de eu voltar, você não queria vir? A gente faria o mesmo esquema de novo, voltaríamos juntos. A família te ama perdidamente, hoje pintaram até uns salseirinhos rápidos porque todo mundo queria ler a matéria do Chico ao mesmo tempo.

Let me take you down
cause I'm going to strawberry fields
nothing is real, and nothing to get hung about
strawberry fields forever
strawberry fields forever
strawberry fields forever


Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I'm going to strawberry fields.

Me conta da Adélia.

E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: "Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade".

Um beijo do
Caio

PS — Abraço pro Nello. Pra Ana Matos, e Nino também.

(Caio Fernando Abreu)

Extraído daqui.

5 de nov de 2009

PENSANDO

Hoje mesmo me hão dito que este Teleférico estava mais abandonado que puta no Natal. Eu concordo! Mas não foi por descaso não, nem mesmo pra passar as festas comendo frutas secas e panetone na companhia da mulher e das crianças. Até mesmo porque dezembro nem chegou ainda! Também não foi por falta de assunto. Uma vez inclusive me sentei no computador para escrever algumas conclusões a que cheguei sobre o nosso povo brasileiro. Mas acabou que parei o texto no meio e depois joguei no lixo. Também tive vontade de comentar muitas outras coisas, por exemplo, que finalmente li O Pequeno Príncipe, que achei o Roberto Justus muito mais simpático no novo programa dele no SBT, que tive de me render ao preço baixo do Dia%, que continuo na busca de coisas que me façam feliz (aliás, pensei também em escrever um texto sobre a obrigação de ser feliz, especialmente estimulada pela publicidade e ainda mais patente nesta época em que se aproxima o final do ano)...

Pensei em comentar que a novela do Maneco é a pior de todas que ele já escreveu (se é que quem está escrevendo é ele, visto que na abertura aparecem mais colaboradores do que atores), em gongar o Vegas, fazendo piada da lenda em que se tranformou o encerramento de suas atividades (faz mais de um ano que eles dizem que vão fechar!), em falar das Olimpíadas no Rio, da inauguração das novas faixas na Marginal Tietê, do Google Wave, que eu ainda não descobri como funciona, enfim...

Mas acho que acabei não escrevendo sobre nada disso porque, bom patrão que sou de mim mesmo, resolvi me dar férias. Não que o blog seja uma imposição da qual eu precise descansar (aliás, o intuito é justamente esse — fazer algo que não seja por obrigação). Mas resolvi tirar férias de dizer pros outros o que eu penso. Já que, de pensar, pelo jeito não tem muito como fugir!

E, para que todos percebam que nunca me esqueci do Teleférico — nem do meu público maravilhoso (aliás, já repararam que não existe outro adjetivo para "público"?) —, vai aí uma prova:

Entrada para o teleférico, em Santorini

24 de set de 2009

101,7 MHz

(Com a voz fanha.) 19 horas e 53 minutos. Você está na Alpha FM, Sequência de Classe. Primeiro você ouviu Michael Jackson, com Human Nature. Depois foi a vez de Madonna, com Live to Tell. Você curtiu também Simply Red, Tony Braxton e Roxette, com Spending My Time. No relógio, 19h54. Para fechar a nossa sequência, você fica com C&C Music Factory, Take a Toke. Eu me despeço por aqui. E continue conosco, após o intervalo tem Alpha by Night!


23 de set de 2009

NUMEROLOGIA

Caminhando na chuva hoje, passei na frente do prédio onde eu morava, na avenida Jurucê (amo você). E, sempre que a gente passa num lugar onde a gente já morou, vêm aquelas lembranças de como era viver a vida ali. Eu gostava muito do apartamento da Jurucê, fui bastante feliz lá. Foi basicamente na época em que morava ali que consegui minha independência e deixei de precisar do dinheiro dos meus pais (até mesmo o aluguel eu passei a pagar). Foi morando lá também que comecei a sair de balada (velhos tempos da Trash 80's), que fui ficando mais amigo dos meus melhores amigos hoje, que fui desbravando a cidade e até mesmo o mundo. Os porteiros eram gente boníssima, os moradores eram supertranquilos (não tinham a voracidade de reformar o apartamento a cada quinze dias, como acontece no prédio onde eu moro hoje), a garagem era fácil de estacionar, enfim... Só boas recordações mesmo! E tudo isso num apartamento número 54, que, segundo a numerologia de Aparecida Liberato, não é lá o melhor número para uma casa.

Acho que só isso pra mim já comprova que a irmã do Gugu é mesmo uma farsa. Lembro que ela ia semanalmente no Domingo Legal fazer a numerologia das velhas do auditório.

— Qual o número da sua casa, querida?
— 122.
— Nesse caso, a soma dos números é igual a 5. E 5 não é um bom número. O melhor é o 6. Então, coloque uma letrinha A do lado do número da sua casa para atrair boas energias.

E isso se repetia durante três horas (o Gugu nunca teve noção de tempo) todo santo domingo.

Quando encheu o saco da numerologia para o lar, passou-se para a numerologia dos carros.

— Qual a placa do seu carro, minha senhora?
— ABC 1234.
— A soma dá 16, que é igual a 7. Também não é um bom número. Seria melhor se a senhora escrevesse no cantinho da placa a letra H, que equivale a 8. Assim, a soma de 7 mais 8 vai gerar um 15, que é o mesmo que 6.

E lá ficavam as gordas da plateia se engalfinhando para que a numeróloga lhes passasse a chave da felicidade também no nível automobilístico.

Quem é mais velho acompanhou ainda a febre da mudança de nomes dos artistas. Acho que foi no começo dos anos 90 que Sandra Sá acrescentou um "de", Jorge Ben repetiu o "jor" no final do nome, e por aí vai. Cristina Rocha encheu o nome de H's e Y's, mas hoje acho que voltou a ser Cristina. Núbia Oliver já fez de tudo também (dois I's, pôs R, tirou R, se duvidar trocou até o pingo do i por trema), mas continua semidesconhecida.

Enfim, não preciso dizer que acho tudo isso um monumento à abstração. Meu apartamento soma 9 me trouxe dias excelentes, e nunca precisei colocar nenhuma letrinha depois do número. Aliás, tem uma coisa que eu sempre quis perguntar pra Aparecida Liberato (e que considero mais uma prova da charlatanice da pessoa): se se somam as letras e números da placa do carro, porque não se somam também as letras do nome da cidade e da sigla do estado? Elas estão tão escritas quanto a letrinha que o pobre coitado vai pôr ali do lado, a lápis. O mesmo também pra casa: se você vai escrever um A do lado do número, por que não somar as letras que muitas vezes aparecem na pichação que tem na fachada ou mesmo numa placa, no caso de um estabelecimento comercial? Vai entender a lógica da Liberato. Falando nisso, por onde andará a dita-cuja? Ultimamente ela está tão desaparecida...

18 de set de 2009

AUTOBIOGRAPHIA LITERARIA

When I was a child
I played by myself in a
corner of the schoolyard
all alone.

I hated dolls and I
hated games, animals were
not friendly and birds
flew away.

If anyone was looking
for me I hid behind a
tree and cried out, "I am
an orphan."

And here I am, the
center of all beauty!
writing these poems!
Imagine!

(Frank O'Hara)

Peguei esse do blog da Letícia! Lá aparece traduzido. Mas são lindas as duas versões!

16 de set de 2009

A DE AMOR, B DE BAIXINHO

Faltando poucos dias para meu desembarque na terra helênica, gostaria de deixar aqui no blog uma dúvida levantada pelo Lucas, na esperança de que alguém possa se manifestar sobre ela: por que é que foram necessárias quatro letras latinas para formar a palavra "abecedário" se o problema já tinha sido resolvido com apenas duas letras gregas, "alfabeto"?

Na esteira, eu acrescento: seria errado chamar o alfabeto grego de abecedário?

Pensemos!

14 de set de 2009

BREGA E CHIQUE

"Analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária, onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre. E o motivo todo mundo já conhece: é que o de cima sobe e o de baixo desce."
(As meninas, Xibom bombom)

Pois é, não existissem ricos, também não haveria pobres. E vice-versa. Disso todo mundo já sabe. Mas o que mais me intriga, especialmente levando em consideração que tem muito, mas muito menos ricos do que pobres, é que a riqueza chame menos atenção do que a pobreza. Ou alguém aí já viu um jeep tour pelo Shopping Cidade Jardim? Pensando nisso é que eu, Cohen e a venezuelana fomos desbravar novos territórios neste fim de semana. Tudo bem, eu já tinha ido lá em outras duas ocasiões, mas só agora consegui mergulhar de forma mais inteira no complexo do alto luxo paulistano.

Pulseiras de 25 mil reais, relógios de 85 mil reais, calças de viscose de 900 reais... Quanta abstração! Mas, o estilo neoclássico à parte, não dá pra negar que o lugar é mesmo muito agradável. O terraço, então, nem se fala! E a livraria? Quanto espaço! Dá pra passar o dia todo lá dentro sem se aborrecer. Lógico, desde que você se dedique aos livros e não fique de ouvido espichado na conversa alheia, cheia de cortesias, risadas sutis e frases do tipo "Estou completamente de acordo com você". Quem fala desse jeito? Nem nas novelas do Maneco...

E tudo bem também que, ao sair do shopping, você terá um "choque de realidade" ao deparar com um busão Terminal Capelinha passando na sua frente. Mas a experiência de encontrar uma filial da Baked Potato que vende batata com recheio de caviar não tem preço! Vale o passeio! Aliás, só o nome dessa filial já é digno de todo um estudo antropológico: Baked Potato Boutique. Nada mais fino! Nada mais sofisticado! Nada mais exclusivo! Se bem que muitas vezes fico me perguntando por que é que os publicitários insistem em achar tão maravilhoso assim destacar os produtos para as classes mais abastadas com nomes do tipo Boutique, VIP, Première, Grand Elite, Special, Personalité, Prime... Será que não passou pela cabeça de nenhum deles que, vendendo as coisas desse jeito, o chique fica parecendo cada dia mais brega?

E, se as coisas continuarem assim, quem sabe um dia o preço dos apartamentos ali não fique mais acessível? Sem falar que, como já aconteceu com muitos bairros da cidade ao longo da história, aquilo lá pode perfeitamente entrar em processo de decadência. Já pensaram em 2095? Cortiço Cidade Jardim?

11 de set de 2009

TEM COISA PIOR QUE...

...boteco com música ao vivo?

Tem! Ter que pagar couvert artístico.

9 de set de 2009

DE VUELTA

Hoy caminé hacia el gimnasio, pero no fue por Cabildo. Hoy herví el agua, pero no fue para el mate. Hoy comí en un restaurante, pero las viejas de Caballito ya no estaban. Hoy vi palomas, pero no las tomé fotos. Hoy fui al supermercado, pero no había pesos en mi billetera. Hoy llovió.

2 de set de 2009

PÁJARO LOCO

Passa das 3 da manhã (na verdade já são quase 3:30) e estou indo dormir. Mas há um passarinho ensandecido cantando alto pela região. Em que fuso vive esse bicho, meu deus?

31 de ago de 2009

COMPARTIMENTANDO

Para quem tem TOC de organização ou para os virginianos mais convictos (já que estamos na época deles), descobri o paraíso. Chama-se Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, também conhecida como FEA-USP ou só FEA mesmo.

A minha descoberta se deu porque estou fazendo aulas de francês lá. E cada dia a aula é numa sala diferente (sempre marcada num papel afixado no mural). O prédio principal, onde acontecem as aulas, é dividido em corredores, cada qual identificado com uma letra, por exemplo, E. Em cada corredor, as entradas para as salas são identificadas com um número, por exemplo, E4. Mas nas entradas de serviço, onde estão os banheiros e almoxarifados, como haverá mais de uma porta, a identificação passa para um subnível. Assim, minicorredor de serviço: E1. Almoxarifado: E1.1. Sanitário masculino: E1.2 etc. E hoje, para o meu desbunde (já que me incluo na categoria dos que têm TOC), descobri que as cabines do banheiro também têm identificação: E1.1a (!)

E se déssemos prosseguimento à brincadeira? A privada seria E1.1a1, o cocô E1.1a1a, o milho E1.1a1a.a e assim por diante...

MOMENTOS DE FALTA DE ACABAMENTO VOL. II

A menina, levada para uma livraria cult da capital:

— Mãe, quando a gente vai comprar o CD do Caminho das Índias?

*
Na mesma livraria cult, entre duas amigas:

— Olha só que livro legal pra deixar assim... em cima de uma mesa.

*
A mesma amiga, percebendo a reprovação da outra:

— Quer dizer, pra ler...

*
O autor espanhol, criando caso com o tradutor:

— Tenho um jeito barroco e complexo de me exprimir.

*
Uma amiga do peito, cientista social, encantada com os efeitos de certas substâncias químicas comprimidas:

— Onde que eu encaixo isso no meu mundo socialista?

ENTRE OUTRAS MIL...

Neste mundo binário, ainda não se tem definições muito claras quanto à efemeridade das coisas. Este blog que você está lendo, por exemplo, ficará para a eternidade? Não sei. Ultimamente, aliás, mesmo eu, que sou o dono dele, tenho passado bem pouco por aqui; ando com preguiça de postar, sei lá...

Mas neste fim de semana fui apresentado a uma pérola que não pode se perder tão cedo. Por isso decidi deixá-la registrada também aqui, afinal, é o meio de que disponho para divulgar coisas que acho interessantes. Tudo bem, também posso sair por aí riscando portas de banheiro, colando papelzinho em poste etc. etc.

Bom, vamos ao que importa. Para quem ainda não viu, eis a interpretação de Vanusa para o Hino Nacional — o melhor vídeo do YouTube dos últimos meses.

13 de ago de 2009

RELEITURA


5 de ago de 2009

QUESTÃO DE TAMANHO

Uma das coisas que mais me irritam editorialmente é quando a Casa Claudia, a Arquitetura e Construção ou qualquer revista do tipo resolve fazer uma matéria sobre decoração de apartamentos pequenos. Primeiro, é óbvio, porque o frescor da matéria é praticamente nulo — todo mês sai uma reportagem com esse título, quase tão manjado quanto o "Perca gordura e conquiste um abdome tanque" da Men's Health. Mas o mais irritante é que eles sempre colocam logo abaixo do título, como olho: "Ideias e sugestões para apartamentos de 40, 55 e 110 m²". Porra, São Paulo já é quase Tóquio: não dá mais pra considerar um apartamento de 110 m² pequeno!

1 de ago de 2009

31 de jul de 2009

MONSTRO... SAGRADO

Pra que falar tanto do Michael Jackson se temos Bibi Ferreira, não é mesmo?

Copiado daqui.

30 de jul de 2009

VIVENDO E APRENDENDO (O REATOR)

Dia desses tinha lido no Facebook de uma amiga que ela estava perplexa, pois acabara de descobrir que as palhetas do parabrisa do carro precisam ser trocadas de vez em quando, dado o desgaste natural do material. Fiquei pensando que um dia eu também fiz essa descoberta, embora não tenha dado a ela tanta importância assim. Assimilei e pronto (e a primeira vez que tive que comprar palhetas foi porque as minhas tinham sido roubadas...).

É engraçado a gente deparar com essas pequenas coisas da vida de adulto que pai nenhum e mãe nenhuma, por mais zelosos que tenham sido, nunca pararam para nos explicar. O carro mesmo aglomera uma profusão delas.

Mas nesta semana eu fui agraciado com uma lição da vida, que compartilho aqui com vocês: as lâmpadas da minha cozinha pararam de acender. Bosta! Alguns dias depois (não preciso dizer quantos), resolvi levá-las até uma loja para ver se elas tinham realmente queimado — eu desconfiava que ainda estivessem funcionando, pois não teve estouro nem nada. Dito e feito: as lâmpadas estavam ok. Voltei pra casa, pus as lâmpadas de volta no lugar delas e fui desmontar o interruptor, que já tinha dado sinais de mal contato. Mas nada. A cozinha continuava no escuro. Foi só conversando com o porteiro do meu prédio que descobri que as lâmpadas fluorescentes têm um reator, e que o meu, no caso, já era. E lá foi Denis alameda dos Maracatins avante comprar o primeiro reator de sua vida...

E vocês, que certamente já aprenderam de um tudo nesta vida, se lembram de algumas lições assim?

27 de jul de 2009

POR OUTROS OLHOS E MÃOS

A Raq e eu, pelo Pablito. ¡Qué te vaya todo bien en el nuevo laburo mañana, menino!

17 de jul de 2009

CALENDÁRIO

Uma coisa que sempre me intrigou foram as pessoas que riscam no calendário os dias que já passaram. Não entendo. E isso sem falar que fica medonho um calendário todo borrado em cima da mesa ou pregado na parede.

Mas a verdade é que minha preocupação vai além do senso estético. E a única coisa que posso imaginar dessas pessoas é que elas são inconscientemente infelizes, conformadas, daquelas que estão no mundo só para cumprir tabela. Afinal, que espécie de prazer pode trazer você olhar para um calendário com os dias riscados? "Pronto, 16 de julho. Esse dia eu já vivi. Um a menos."

Vai entender...

DIZER O QUÊ?

"Sou uma nerd num corpo de sex symbol."

(Juliana Paes, na RG Vogue deste mês)

Ah, tá.

14 de jul de 2009

¡ADIÓS!, TELEFONICA

Trinta e oito minutos e quarenta e seis segundos. Foi esse o tempo que eu precisei ficar com o telefone no ouvido, conversando com diversas atendentes, esperando o sistema voltar depois de ter caído para enfim conseguir cancelar minha conta na empresa de telefonia espanhola.

Até mesmo a taxa de transferência de titularidade, que eu precisaria pagar para manter meu número e poder transferi-lo a outra operadora, e que a princípio era de 48,01 reais, eles disseram que poderia sair de graça. Aliás, como eu odeio isso! Foi a mesma coisa quando eu resolvi cancelar a assinatura do Terra. Eles ofereceram baixar a mensalidade de 24 para 12 reais. Depois para 8 reais. E chegaram até a me propor 4 reais por mês... E eu estive pagando esse tempo todo 24 reais por quê? Porque sou trouxa? SIM!

O mesmo também na Runner. "Se você renovar seu plano até sexta-feira, você ganha um mês de graça." Passou sexta-feira, passou segunda-feira, maio virou junho. Na terça-feira a guria da recepção veio me dizer que estavam com uma nova promoção, realmente muito mais vantajosa. Mas eu teria que renovar o plano até o fim do mês, e ganharia também mais um mês de graça!

É muito humilhante mesmo esse jeitinho brasileiro de tentar tirar proveito do babaca do consumidor até onde for possível. Cheguei inclusive a perguntar pra atendente do Terra:

— Ué, se você pode me vender essa assinatura por 4 reais, por que me ofereceu primeiro por 12?
— São os procedimentos da empresa, senhor.

No caso da Telefonica, fiquei ouvindo durante esse tempo todo os procedimentos da empresa. Faltou só eles me oferecerem sociedade para que eu não cancelasse a linha... Aí quem sabe eu não pensaria melhor!

12 de jul de 2009

SOROCABA TE AMA

— De onde você é?
— Sou gaúcha, de Porto Alegre.
— Ai, Porto Alegre, que cidade linda. Cidade que eu amo. Um beijo para todos os gaúchos que estão nos assistindo.

— Alô, quem fala?
— Josiane.
— Josiane, você está falando de onde?
— De Fortaleza, no Ceará.
— Alô, alô Fortaleza. Alô, Ceará. Estado maravilhoso. Um beijão para todo mundo do Ceará que nos prestigia.

Pensa bem. Quantas vezes você já não ouviu isso na sua vida assistindo televisão? Duzentas? Quinhentas? Um milhão!

Será que falta criatividade aos apresentadores ou eles têm mesmo tanto amor pra dar? Vai saber... Só sei que seria muito mais divertido se um dia ligássemos a TV e ouvíssemos:

— De onde você fala?
— Dos Cafundós do Judas.
— Nossa, Cafundós do Judas. Lugar horroroso, que fede. Povo folgado. Odeio! Próxima ligação? Alô!

2 de jul de 2009

BRANDING XTREME

Credicard Hall, Oi FM, Teatro Vivo, Cine Tam, Citibank Hall, HSBC Belas Artes, Mitsubishi FM, Cine Bombril...

Certeza essa estratégia de branding ainda vai chegar às maternidades! Já posso até ver ex-BBBs e afins, em troca de uns trocados na conta bancária, batizando seus filhos de Fiat da Silva, Whirlpool de Oliveira, Elma Chips dos Santos... Digno, não?

29 de jun de 2009

XAVECO JURÍDICO

Para começar a semana de forma mais leve (menos crítica), uma contribuição do doutor Lucas, advogado com D mudo. Trata-se de um trecho de um acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, relatado pelo desembargador Ênio Zuliani, em que se nega indenização a uma mulher que recebera uma cantada desastrosa.

Pra quem não aprendeu ainda como xavecar uma mina, vale a lição!

"0 gracejo que se faz a uma mulher deve ter o tempero exato da cortesia intencional com o apetite sexual que se contém, para que, como em um jogo de sedução que se manipula com poucas e acertadas palavras ou gestos, se alcance o objetivo sem que o alvo da conquista possa ter tempo suficiente para agir com razão. Isso se consegue com o galanteio apropriado para a hora certa, embora uma dose de sorte nunca seja dispensável. Afinal, não há criatividade que supere a barreira da não receptividade feminina."

25 de jun de 2009

THE KING'S GONE

É... ninguém esperaria, num dia com cara de bunda como foi hoje aqui em São Paulo, receber a notícia da morte do Michael Jackson. Por um lado, mal dá para acreditar; por outro, ele era tão bizarro que mais parecia uma múmia do que uma pessoa. Mas eu gostava muito do Michael Jackson. Acreditava nele, inclusive. Quer dizer, pelo menos eu acho que conseguia entender o que se passava na cabeça dele. Ele vivia num mundo à parte... Como ele chegou a isso é que é o grande mistério. Talvez agora com ele morto consigam dissecá-lo para estudá-lo.

Musicalmente também ele já estava morto. Enterrado. Tanto é que, quando foi anunciada essa turnê de mais de cinquenta shows em Londres, eu fiquei com muita vontade de ir. Mas os ingressos se esgotaram em pouco tempo. Eu nem tive a chance de tentar comprar. Ainda bem. Pois alguma coisa me dizia que esses shows nunca viriam a acontecer. Achei até que era mais um golpe de marketing para tentar ressuscitá-lo. Bom, isso certamente era. Porque Michael Jackson não produziu nada que possa ser considerado decente desde Dangerous — ou History, vá lá, tem alguma coisa legal neste álbum. Mas os posteriores...

As pessoas que nasceram mais ou menos na mesma época que eu são todas da geração Michael Jackson. (Eu mesmo nasci no ano em que foi lançado Thriller.) Uns gostavam mais das músicas dele, outros gostavam menos, mas não havia ninguém que não fosse capaz de reconhecer a grandeza do Jacko. Eu sempre gostei! Acho até que, se eu tivesse que participar de um programa de perguntas e respostas sobre celebridades, eu escolheria responder sobre ele — o que não quer dizer que eu tenha chegado ao ponto de ser um daqueles biógrafos que dão depoimentos sobre a vida dos personagens famosos no E! Entertainment Television. Eu gostava do Michael Jackson e acho que ele fará falta sim, especialmente pela figura lendária em que ele havia se transformado. Sempre foi muito divertido abrir a internet e deparar com novas bizarrices dele ou com as fotos de máscara.

Mas ele se foi. Quem sabe não tenha encontrado um novo mundo mais condizente com aquele em que ele achava que vivia. Michael Jackson era um sonhador.

24 de jun de 2009

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DE MOEMA

Segundo os estudiosos de tupi-guarani, há várias traduções possíveis para o nome Moema. Uma delas é "falsidade". Outra é "doçura". Há ainda quem diga que Moema significa "aurora". Mas, no meu dicionário de tupi-guarani, Moema quer dizer "lugar de gente com sede insaciável de reforma em seus apartamentos". PQP. Nunca vi lugar pra ter tanto quebra-quebra na sua cabeça — isso que eu já morei do lado de um shopping em construção. Vai ver o povo da terra da "falsidade" acha que vai encontrar mais "doçura" morando num lugar com banheiros revestidos de Vidrotil. Ou talvez seja a tão propagada cozinha americana que vai trazer uma nova "aurora" para a vida dos meus vizinhos...

22 de jun de 2009

SÃO PAULO FASHION WEEK

O programa que consegue imprimir prestígio e glamour aos acontecimentos mais importantes do país, que transita pelos lugares mais exclusivos do jet set nacional e internacional e que é comandado por um dos mais carismáticos e versáteis apresentadores do país foi ao São Paulo Fashion Week, como não poderia deixar de ser. E um dos membros da equipe de repórteres perguntou ao cabeleireiro japonês de cabelo comprido, que cobra milhares de reais por uma "make", o que ele achava que seria tendência para o verão 2010. Ele disse:

— Muito metal, com tonalidades mais ligadas ao verão, como o vermelho, o laranja e o amarelo. Ou outras mais ousadas, como um verde ou um azul, para as mulheres mais despojadas. E nunca se esquecendo do preto também, sempre para realçar. E a bochecha rosada, denotando saúde. Essas são as tendências de make para o verão 2010 que estão sendo apresentadas nas passarelas do São Paulo Fashion Week hoje, mas que já vão ser vistas nas ruas a partir deste inverno.

Uma outra repórter, cobrindo o desfile de um renomado estilista brasileiro, com lojas em algumas cidades do mundo, e que gosta de pagar de DJ com certa frequência, conversou com uma modelo já veterana, que hoje só desfila para o dito estilista:

— Reparem que a modelo está sem maquiagem hoje. E é linda! Vejam essa cara, essa pele.

A modelo (tenho certeza que ela é o molde da caveira em que o estilista se inspira para suas estampas) sorri e agradece. A repórter continua:

— Mas com quantos anos você está?
— Trinta e sete.
— Parece bem menos!

A mesma repórter, vestindo uma blusa de oncinha, encontra outro estilista e pergunta:

— É verdade que a estampa de oncinha veio para ficar?
— É verdade sim. Ela já está aí há quatro ou cinco anos e veio para ficar.

Da papisa da moda, ela quer saber se mulheres acima dos 50 podem abusar da minissaia.

— Bom, eu tenho as pernas lindas, então eu posso usar. Mas é lógico que não dá para dispensar uma meia-calça de tonalidade opaca. E minissaias não tão curtas, pelo amor de deus.

A jornalista loira, com cabelo à la Victoria Beckham (ou seria Rihanna, enfim, nota 10 de criatividade), é a próxima entrevistada:

— E o que você está achando dessa edição do São Paulo Fashion Week?
— Olha, hoje é só o primeiro dia. Mas já deu pra sentir que as grifes vieram todas muito bem, mesmo eu só tendo assistido ao desfile de uma delas. Há um abuso de texturas e tecidos, com cores mais clássicas e outras mais ousadas, características da estação. Os cortes também oscilam entre o clássico e o inovador, demonstrando uma tendência que já pode ser vista nas passarelas de Milão, Nova York e Paris.

Na sequência aparecem alguns representantes do populacho, que certamente estão ali de bicão e que são imediatamente agulhados por outra repórter:

— Você acha que sua roupa é fashion?

E o show de horror termina (pelo menos para mim, que desligo a televisão depois disso tudo) de uma maneira jamais esperada:

— Já se pode dizer que São Paulo está no mapa-múndi da moda?
— Olha, não dá.

E assim vou dormir com a certeza de que tem gente inteligente no meio da moda sim! Porque para falar todo o resto, convenhamos, não é preciso nem meio neurônio.

19 de jun de 2009

COMO UMA LUVA

Achei a seguinte tirinha hoje. Como o tema é recorrente no blog, seria injusto não postá-la aqui.


Se estiver ilegível, é só clicar nela que aumenta.

Bill Waterson. A vingança dos oprimidos — Uma coletânea de Calvin e Haroldo. São Paulo: Cedibra, 1991.

17 de jun de 2009

"BABACA" TAMBÉM TEM 3 "A"

Trezentos conto pra entrar numa balada? (Milão se o DJ for gringo, mesmo se ele for um zé-mané do Curdistão...) Uma garrafa de Veuve Clicquot por 3 mil reais, servida com as luzes da balada todas apagadas e foguinhos piscando até o champanhe chegar à mesa? Será que a babaquice dessa gente não tem fim?

Às vezes dá vergonha morar em São Paulo.

Fico pensando quando a profecia do Leandro vai enfim se concretizar e todo esse bando vai começar a se jogar do alto dos seus prédios neoclássicos. É a chuva da classe média alta paulistana! Porque não é possível que tanta futilidade e tanta falta de noção do que é o mundo real sejam eternas... Alguma hora tem que cair a ficha desse povo. Será que vamos estar aqui para ver?

A notícia toda está neste link.

5 de jun de 2009

MANUAL CARAS DE REDAÇÃO E ESTILO

Talvez nenhuma outra revista atual contribua tanto para a inovação da língua portuguesa quanto a Caras, aquela velha companheira de tantas salas de espera Brasil afora. Muito mais do que informações sobre a vida das nossas celebridades mais queridas, o que encontramos nas páginas da Caras são exemplos de um estilo novíssimo que, como diria Narcisa, de petit à petit vem ganhando as ruas.

Não tardará, certamente, para você receber um convite para a BODA de algum amigo. Ainda mais se se tratar de alguma famosidade, afinal no mundo de Caras não existe casamento. E, depois da cerimônia (em alguma ilha da Oceania ou com algum padre-de-televisão), é sempre hora da festa, hora de a noiva roubar a cena com um look simples, porém com muita elegância, BY qualquer Ronaldo Ésper da vida. Pra que usar as preposições em português, não é mesmo?

E por que também não ousar na transitividade dos verbos? Aquela chatice do "quem faz faz alguma coisa" é totalmente dispensável, numa tentativa mais do que evidente de o jornalista ganhar espaço para encher a reportagem com mais e mais glamour. Não foi alguns dias depois daquela mesma festa que a fulana RECEBEU em um brunch elegante? Pobres convidados, pobres amigos que, de tão desprezíveis, nem na frase entraram.

Trapos devidamente juntados, é hora de casa nova (ia dizer "quem casa quer casa", mas não posso me esquecer que na Caras só rola boda). Chovem nomes de arquitetos em textos to-tal-men-te descompromissados. E, rodeados de tanto merchandising, marido e mulher poderão finalmente curtir o DÉCOR (no masculino mesmo, esbanjando atrevimento!) do novo loft. Isso que é vida!

Mas união que se preze só fica completa mesmo quando vêm as crianças. E as pobres coitadas, que nem podem escolher se querem ou não aparecer na revista, já são logo fotografadas para mostrar a felicidade descomunal do CLÃ de famosidades.

E é assim, no meio de tantas celebridades com um livro aberto nas mãos, ou diante de um closet repleto de roupas e sapatos, que se constrói uma nova escola de redação. E de estilo — que disso, verdade seja dita, a Caras entende muito, querida.

2 de jun de 2009

NOVOS TALENTOS

E dando prosseguimento aos meus serviços de divulgação do trabalho de gente que quer mudar de área (vide Ângela Bismarchi e eu mesmo), eis que recebi da Kiel hoje mais uma pérola.

Se você também não suporta Pedro Camargo Mariano, Jairzinho Oliveira e tantos outros nomes da nova MPB (argh!), que tal apostar na malemolência de um campeão? O novo representante da música popular brasileira é o...

...MAGUILA! (só clicar no nome dele que abre o site para ouvir a música)

Ele apostou no pagode, que tem andado meio em baixa ultimamente, depois do fechamento de tantos e tantos bares antros da heterossexualidade na Hélio Pellegrino e na Faria Lima (salve prefeita estética!). Mas há quem continua preferindo o bom e velho sertanojo. Nesse caso a dica, também da Kiel, é uma nova dupla dinâmica: Bátima e Robson. Santa madrugada!

Se bem que, em tempos de reforma ortográfica, VALE destacar a devida atenção para a marcação da proparoxitonicidade do nome do cantor! Muito bom!

1 de jun de 2009

J'ADORE

Márcia Goldschmidt, na cobertura da Band sobre o acidente com o voo da Air France, disse que se sente especialmente comovida com o que aconteceu, já que tem uma ligação muito forte com a França. "Eu morei lá muito tempo e até hoje sonho em francês."

Foi imediatamente interrompida pelo Datena.

MALLANDRAGEM

O que estaria Sérgio Mallandro fazendo num sábado à noite num campeonato de muay thai no Pacaembu? Pelo jeito, convites vip têm estado em falta ultimamente mesmo! Se até eu entrei de graça e fiquei sentado junto com os "famosos"...

28 de mai de 2009

DONA MARIA

No supermercado com Denis:

De que adianta o Dia ser mais barato se lá não tem nada pra comprar? Na seção dos chocolates em barra, a única opção era o Hershey's meio amargo. Não tem como não economizar desse jeito. Você sai do mercado de mãos vazias...

*
A redução de embalagens parece ter chegado ao seu extremo. A caixa de bombons da Lacta tem agora 193 gramas. Eu me pergunto: dentro dela vem o quê? Dois Sonhos de Valsa?

*
Não adianta. Por mais que você vá ao mercado comprar um único produto, você sempre vai sair de lá com muito mais sacolas do que pretendia. Eu queria só uma caixa de Sucrilhos, mas saí com sorvete de flocos, bombons, um suco em pó, batata, maçã, mexerica, torradas, uma Coca Cola e, é claro, o Sucrilhos.

*
Sim, minha alimentação anda meio trash ultimamente.

*
A expressão "preço de banana" devia mesmo ser banida de vez. Proponho "preço de cebola".

*
Aqueles preparados instantânos para fazer bolo são o quê, farinha de trigo com sabor? De que adianta comprar aquilo se você ainda precisa de todos os outros ingredientes pra fazer o bolo?

CINQUENTONA

Sem ela, uns 60% de toda essa abstração faranduleira de hoje em dia talvez nem existisse. Nada mais justo então do que prestar uma homenagem aos 50 anos da rainha do setor retro-rebolativo, essa mulher de olhar tão profundo...

Parabéns, Grwwwetchen!

25 de mai de 2009

FOI

São Paulo, 25 de maio de 2009.

Prezados senhores.

Venho, por meio desta, solicitar minha demissão do quadro de funcionários da empresa.

Solicito a liberação do cumprimento do Aviso Prévio.

Sem mais,

Atenciosamente,

Denis Fracalossi

22 de mai de 2009

O APRENDIZ

Assisti ontem a mais um episódio do Aprendiz 6 Universitário. Tinha comentado uma vez no Bibibi que acho esse programa muito bom, já que cumpre perfeitamente seu papel de apresentar um Roberto Justus odioso e candidatos se engalfinhando. Até porque, em comparação com o que acontece nos originais gringos, é difícil nos programas brasileiros os candidatos se agulharem com convicção (excluo dessa lista o Big Brother, pois aquilo é cada vez mais roteirizado; sem falar que os participantes não são pessoas, e sim bonecos de plástico). Vide aquele programa da MTV em que dois caras disputam uma mulher ou duas mulheres disputam um cara: Dismissed, em inglês, Pé na Bunda, a versão brasileira, que nem existe mais. Coisa mais sem graça. Pois bem, voltando ao Aprendiz. Ontem na sala de reunião as duas meninas que estavam na berlinda (odeio essa palavra, mas não me veio outra) começaram a se atacar de maneira muito verídica, obviamente incitadas pelo Justus.

Acho o programa bom porque ele é bem real na reprodução do que é o sistema corporativo brasileiro. A começar pela própria entrada do Roberto Justus na sala de reunião. Sensacional. Mas analisemos os candidatos, que o Justus também não é uma pessoa.

Bom, se não me engano, nenhum deles vem de universidade pública. A maioria estuda em centros universitários caça-níqueis. Nada contra as universidades particulares, acho ótimo, mas é que é bem assim no mundo do terno e gravata também. Acontece que boa parte dos selecionados para fazer parte do programa é burra, tem visão de mundo zero (o que independe da faculdade que a pessoa cursou, quero deixar isso claro). Sem falar que alguns deles não sabem nem escrever. Não foi nesta mesma edição que escreveram "escultar" em vez de "escutar"? Ou seja: são candidatos assim que estão disputando teoricamente uma das melhores vagas de emprego do país? São. E o que é pior: a produção do programa fez testes e mais testes pra escolher os melhores competidores. E estes foram os vencedores!

As argumentações deles são absolutamente fracas, superficiais e, quando querem fazer uma análise psicológica dos fatos e dos outros concorrentes, aí que fica tudo vergonhoso. Só que o Justus acha tudo lindo (de verdade ele acha) e diz que isso é "saber se colocar". Aliás, tem algo mais corporativo do que "saber se colocar"? PQP. E a sensibilidade do ser humano, pra onde vai? A menina ontem quase foi demitida porque chorou no banheiro. (E ela afirmou veementemente que não chorou, que foi apenas "usar o sanitário".)

É, Fausto. Tem que separar o pessoal do profissional. E começo a desconfiar que essa separação do pessoal do profissional é o que tem cagado o mundo since Revolução Industrial. Aqui eu deveria ser o Denis funcionário. Depois das 7 é que posso ser o Denis Denis. Só que eu, por mais Paulo Autran que seja às vezes, não consigo me dividir bem nesses dois papéis. E sobra muito de funcionário no Denis Denis, e muito de Denis Denis no funcionário.

Enfim, não é à toa que esse mundo Vila Uó-límpia é dolorosamente artificial. Ou o barulinho toc-toc-toc do saltinho que as mulheres de terninho toc-toc-toc usam enquanto caminham pelo hall toc-toc-toc do edifício-potência é uma coisa toc-toc-toc que não dói toc-toc no ouvido de ninguém?

Olha, disso tudo só posso concluir que não me vejo participando de um programa como o Aprendiz. Nem por 1 milhão de reais (e muito menos para trabalhar com o Justus). Até porque tenho certeza que eu seria, se não o primeiro, o segundo eliminado. Não por falta de inteligência, mas por falta de adequação mesmo. Eu já me sinto inadequado aqui, fora do programa. Mas parece que o Justus desta vez não vai me demitir...

16 de mai de 2009

EU ODEIO EMPRESAS DE TELEFONIA

É uma pouca-vergonha o trabalho das operadoras de telefone neste país. Não bastassem todas as vendas casadas de internet, telefonia e TV a cabo; não bastasse o preço absurdo dos minutos de ligação; não bastasse a mensalidade obrigatória; não bastassem as regras dos programas de resgate de pontos que mais te fazem se sentir um palhaço... agora aceleraram ainda mais (pois já tinham acelerado uma vez antes) a telefonista falando que "sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens". É impossível entender o que ela está dizendo. Aliás, não só aceleraram, como também puseram a mensagem começando a partir da metade, quase na hora do maldito sinal, como se por acaso tivesse dado algum xabu eletrônico e, oops!, sem querer a mensagem começou da metade. Puta que o pariu. E a Anatel faz o quê?

14 de mai de 2009

POR ACASO ALGUÉM NÃO SABIA?

Está em todos os portais da internet de hoje:

"Marlene Mattos: 'Tive uma relação de amor com Xuxa'"
(copiado deste)

Pois é, minha gente, chega ao fim mais uma grande dúvida sobre a farândula que, vá lá, não era tão duvidosa assim. Afinal, todos sabemos que nossa X.Men é bem chegada numa bizarrice. Ou alguém aí também encararia o Roque?

11 de mai de 2009

FICAR VELHO É...

Para a Mariana, a gente está ficando velho quando troca as baladas de sexta-feira à noite para passeios vespertinos no domingo. Para o Wagner, um sinal de velhice é quando, na hora de comprar um tênis, a gente opta pelo modelo mais simples, em vez daqueles com cores berrantes e dezoito molas. Eu acho que um sinal da velhice é quando você vai a um show e prefere ficar vendo lááá atrás, longe da muvuca, onde tem muito mais espaço e você não precisa engolir cabelo de ninguém. Tem também quem ache que ficar velho é trocar as bolachas recheadas pelas de água e sal, Maizena e Maria. Perde-se o interesse em conhecer 1200 pessoas, novidades tecnológicas ficam um pouco mais complicadas e você pouco se importa com elas, come-se menos besteira, a televisão passa a ter cada vez menos opções e você se pergunta se não estará ficando chato demais. Mas também, foda-se. Ficar velho é não se importar em ficar chato.

5 de mai de 2009

ELA CONSEGUIU

Nunca acreditei muito em "querer é poder". Mas, como ela mesma tinha dito, houve um estudo e um trabalho de aperfeiçoamento. O resultado?

28 de abr de 2009

ALÔ, É DO TELEMARKETING

— Boa noite, por favor o senhor Denis Fran... Fras... Francassoli.
— Fracalossi, sou eu mesmo.
— Boa noite, senhor. Aqui é da central de relacionamento do banco Itaú e nós...
— Mas às 9 da noite?
— Olha, senhor, aqui é uma central de telemarketing e nós trabalhamos até as 9h20. Mas, se o senhor preferir, eu retorno a ligação em outro horário...
— Prefiro. Obrigado.

Fazia um certo tempo que eu não recebia ligação de telemarketing. Achei até que a lei que disseram que foi aprovada, dando limites à encheção de saco via telefone (como se a encheção de saco da vida cotidiana já não fosse o suficiente), estava dando resultados, apesar de na maioria dos menus dos serviços de atendimento por telefone de empresas ainda não constar a opção "falar com alguém de carne e osso" logo no começo, que passaria a ser obrigatória. Mas ligações em casa fazia um certo tempo que eu não recebia. Bom, talvez porque faz um ano que eu deixei de trabalhar de madrugada e agora não passo mais as manhãs e as tardes em casa. Lembro até que, na época, eu deixava o telefone fora do gancho para poder dormir até o meio-dia. Mas ontem à noite me ligaram.

E hoje de manhã também:

— Bom dia, senhor. Aqui é do clube de idosos e estamos promovendo uma campanha aí no seu bairro para arrecadar fundos. Qual o seu nome?
— Não quero doar nada.
— Obrigada, senhor.

Receber ligações de telemarketing é uma prova de que morar sozinho não vai te deixar mais ou menos solitário. Afinal, mesmo naqueles dias em que você simplesmente não quer sair de casa nem ver ninguém pela frente, você ainda poderá ter a magnífica chance de conversar com quem você não conhece por telefone. Uns tempos atrás até li numa reportagem do tipo "Saiba como morar sozinho e não se tornar um chato" umas dicas que diziam para você se obrigar a falar com atendentes de telemarketing para exercitar a simpatia e a tolerância.

Eu, que sou pouco simpático mesmo, já vou logo dizendo pro telefonista que não tenho interesse e desligo. Mas conheço relatos de quem diz ser a empregada, que a patroa não está em casa; ou de quem inventa que fulano se mudou, para não ter mais que receber ligações daquele lugar. Ou seja, caso você esteja ok com a sua tolerância, você pode aproveitar a ocasião para exercitar a criatividade, veja que maravilha!

Aliás, nesse quesito, não conheço melhor história do que uma que ouvi de uma amiga, protagonizada por um amigo dela:

— Bom dia, senhor. Aqui é da central de assinaturas do jornal O Estado de S. Paulo, e eu gostaria de oferecer uma assinatura para o senhor...
— Bom dia. Eu não posso assinar o jornal.
— Mas esta é uma promoção imperdível, com condições muito vantajosas para o senhor. Ao assinar o jornal, você entra para um clube...
— Não posso assinar o jornal.
— Mas o preço está em conta e, de brinde, fazendo a assinatura agora, você ainda ganha um aparelho...
— Olha, eu sou cego. Não posso assinar o jornal.
— Obrigada, senhor. E desculpa.

Por que não tentar isso em casa quando o telefone tocar da próxima vez?

27 de abr de 2009

4:14

Nunca consegui dormir abraçado com ninguém. Mas com você eu consigo. E o seu ronco, no meio da noite, soa como uma canção religiosa no meu ouvido. Sonhos com religião têm sido constantes ultimamente. Foto no altar.

Experimentamos a relação num clube de sexo e eu vejo você com uma menina. Depois você dorme comigo, ainda no sonho. E no sonho dentro do sonho eu vejo sua mãe. Tenho certeza de que é ela quem nos olha e acena. Eu falo com você. E a sua resposta vem no seu ronco, que continua sendo uma canção que me conforta.

Gosto de você muito. Talvez por isso consiga dormir tantas horas abraçado sem nem me mexer na cama. Sinto um carinho enorme por você, uma ternura para a qual busco um adjetivo e o primeiro que me ocorre é paternal. Eu e a autoimposição de ser o pai que não tive.

E as coisas neste único instante fazem mais sentido. Eu me olho e vejo como sou e o que eu sinto. Penso como seria bom se pudesse fotografar as pessoas neste instante e mostrar o que elas sentem. A tristeza de um dançarino de boate num domingo. A sua dor e a sua beleza.

O filme perturbador de ontem à noite volta todo na minha cabeça. E o seu abraço é o que eu tenho de mais doce nesta hora em que eu e você estamos desesperados.

24 de abr de 2009

TELEVISIVAS

"Sônia Abrão acha que Silvio Santos tem que dar 'limites' à Maisa"
(copiado daqui)

"Dado Dolabella confirma gravidez da namorada: 'Vou ser pai!'"
(Ctrl-C Ctrl-V direto daqui)

Não é demais?

23 de abr de 2009

CHEGOU MINHA VEZ

Mas espero não entrar pro clube, não...

17 de abr de 2009

BIG BROTHER GOOGLE

O Google é realmente um espião disfarçado de site. Foi só eu começar a estudar francês pra minha caixa de spam ficar cheia de e-mails em francês, sendo que até um tempo atrás eu nunca tinha recebido nenhum!

Cada dia tenho mais medo de quando chegar o momento em que o Google Maps passar a ser transmitido ao vivo...

LUCKY MANUELO

A propósito do último post (que, pra quem é normal e lê o blog de cima pra baixo, é o que vem na sequência), queria deixar uma dica de filme aqui, que me faz lembrar os não tão longínquos tempos de caxumba — e lá se vai quase um ano: o nome em português é Fama para todos. É belga, mas sem ser belga!

EU, CANTOR

Em tempos de Susan Boyle e retorno de Saturno, fico pensando: que profissão eu realmente gostaria de ter? E, se me permito pensar muito além das minhas capacidades, chego à conclusão de que eu queria ser cantor. Nem que fosse por quinze minutos só, porque deve ser realmente o máximo você ter um puta vozeirão e cantar pra uma multidão que fica urrando só de ouvir a sua música.

Não sei se vocês já pararam pra pensar sobre isso, mas eu acho que esse sonho de ser cantor é praticamente universal. Olhem-se as pessoas que já conseguiram dinheiro, fama e estabilidade financeira: do que que elas vão brincar depois de já conquistar tudo na vida? De virar cantor.

Podemos citar aí o Silvio Santos, com suas marchinhas de Carnaval e músicas para contos infantis. O próprio Pelé também já se arriscou nessa seara. Mas o exemplo mais recente e ilustrativo (e vergonhoso) é o do Roberto Justus — se bem que o teleférico dele, de modo geral, é um estudo de caso à parte. Fico pensando que uma pessoa como o Roberto Justus realmente não tem amigos. Afinal, ninguém teve a manha de chegar nele e dizer que seria ridículo ele ter pretensões de virar cantor. Agora, bajuladores pra dizer que ele canta bem, que realmente deveria gravar um disco, que é tudo de bom, ah, isso com certeza não faltou. Tanto é que ele foi até apresentar uma música na Hebe!

Mas eu, (talvez in)felizmente, tenho senso do ridículo e não vou me arriscar a virar cantor. Não agora. Já foi a época do coral no colégio. Já foi a fase do karaokê. Talvez um dia, se eu tiver muito dinheiro e ligar o foda-se bem ligado, me atreva a brincar de ser cantor. Mas aí eu estudaria, me aprimoraria, pra ir cantar juntinho de você, Leão. Por enquanto, meu Hitler me proíbe. Sem falar que tenho certeza que meus amigos me diriam "Menos, Denis". E, entre a sabedoria dos meus amigos e o sonho de ter uma plateia pagando pau pra mim, eu fico com os amigos!

14 de abr de 2009

NOTÍCIA URGENTE (PISCANDO)

Aliás, fazendo uma pesquisa para saber se o nome da Luisa Mell era escrito com S ou com Z, com acento ou sem (sim, o teleférico da revisão chega a esse extremo), descobri que ela na verdade se chama Marina Zatz de Camargo. Taí uma informação de extrema importância pros dias de hoje! Agradeçam-me.

*
Da onde que ela tirou então o Luisa Mell?

SÍNDROME DE LUISA MELL

Eu tinha ouvido ontem essa notícia na MTV e hoje li em alguns sites também:

"Organização de proteção aos animais pede para que Pet Shop Boys mude de nome" (tirado daqui)

Resta entender o que o cu tem a ver c'as calça nesse caso. Haja abstração, meu deus!

13 de abr de 2009

MOMENTOS DE FALTA DE ACABAMENTO

No jornal sensacionalista

"Gorda da Globo teve enfarte"

*
Na Augusta

— Vinte reais não pagam nem minha calcinha.

*
Na terapia

— Bom, Inri, você ainda se veste como Jesus, mas temos feito progressos...

*
Na festa da socialite

— Tudo é o momento, depois passa.

*
Também na Augusta

— Buceta, buceta, buceta!

*
Na saída do shopping

— Estou fazendo dança de salão agora. Tenho um coreógrafo ma-ra-vi-lho-so que se chama...

*
No trabalho

— Tá cheio de gente querendo trabalhar de graça.

*
Na piscina da academia

— Neste verão você quer ser baleia ou sereia?

*
Ainda na Augusta

— Menos anal.

*
No programa do patrão

— Kátia, mas você é cega mesmo?

9 de abr de 2009

TURISMO NA EUROPA

Ainda pensando na França, tô aqui que nem louco revirando o Google tentando descobrir o endereço do lugar mais famoso de Paris para eu visitar. Não, não é a Torre Eiffel, isso está em todos os mapas! Estou falando do Elida Hair Institute!

Eu ouço falar nesse Elida Hair desde que era criança e via as propagandas dos xampus na TV. Seria imperdoável atravessar o Atlântico mais uma vez e não tirar pelo menos uma foto na frente desse lugar. Algo como ir a Roma e não ver o papa — e olha que o Ratzinger não está nos meus planos. Saudade do bispo Wojtyla, como diria Ilze Scamparini. Aliás, encontraremos as longas madeixas recitando reportagens pelas travessas romanas?

Pensando bem, se a Ilze tem aquele cabelo tão bem cuidado há tanto tempo, quem sabe ela não é a melhor pessoa para me dizer onde fica o Elida Hair...

7 de abr de 2009

3 de abr de 2009

BELAS VIOLAS

E viva a beleza interior!

TENHO CARA DE PALHAÇO?

Eu odeio clowns e qualquer coisa que remeta a clowns. O mesmo ódio transpassa para a mascarazinha "drama" do teatro e tudo o que se refere a teatro feito de uma maneira forçadamente teatralizada, com aquela boca aberta, aquele sorriso de gente idiota, aquelas poses de teatro. Odeio. Tenho bode. Odeio clowns. Pior ainda se há um engajamento social. Pior ainda se são chamados de "exército de palhaços". Pior ainda se são franceses. Pior ainda se aparecem na página do Uol, como hoje. Odeio. E sapateado então? Com aquele chapeuzinho meio de lado, aquela mesma boca aberta com aquele mesmo sorriso de gente idiota. Não dá. O clap clap clap me dá aflição. Tenho vontade de explodir o tablado. Ódio. Aliás, só a palavra tablado já me dá nos nervos. Aaaaaaaaaaaa...

*

Alguém tem Maracugina aí? (Aliás, por que Maracugina não é com J? A fruta é maracugá, agora? Aaaaaaaaaaaa...)

SWEDISH DREAM

Baixei esses dias na internet umas músicas do Ace Of Base. Fazia pelo menos uns dois anos que eu não ouvia — a última vez foi com o Felipe e a Mariana na casa do Lucas, quando o Felipe revelou que não conhecia Ace Of Base e eu me senti velho pela primeira vez na vida. Como alguém pode não conhecer Ace Of Base porque era novo demais na época pra se lembrar? Eu já estava na 7ª série! Tivemos o prazer então de apresentar pra ele os clássicos Happy Nation, The Sign, Lucky Love e muitos outros.

Bom, mas o assunto de hoje não é o Ace Of Base nem o Frezza, ainda que eu possa tranquilamente escrever sobre os dois. Hoje sinto mesmo que é preciso fazer um post sobre a Suécia... Mas eu nunca fui lá.

A Suécia é um país simpático por excelência. Basta olhar as bandas legais que saíram de lá pra ter certeza disso: Abba, o próprio Ace Of Base, Roxette, The Cardigans... Tem coisa mais feliz?

Tem! Talvez o time de futebol deles, pra quem eu sempre torço na Copa, mas que nunca ganha porra nenhuma. Dá até dó! Mas não deixa de ser feliz! Bem feliz!

Tem também um filme sueco que eu vi um tempo atrás, Bem-Vindos se chama, e que eu achei a cara do país — mesmo sem nunca ter ido pra lá para saber realmente qual é a cara da Suécia. Mas com certeza é uma cara loira, branca... E com um sorriso simpático contido!

Na verdade, não saberia muito o que fazer se eu fosse pra Suécia. Não deve ser um país cheio de atrações para visitar como é o México, por exemplo (isso que a Suécia não é tão pequena assim). No inverno, particularmente, deve ser uma tristeza só, anoitecendo umas 3, 4 da tarde. Por isso que as taxas de suicídio lá são tão altas. Um país esuro, frio, com pessoas sem preocupações de sobrevivência básica... Não tem felicidade que aguente! Mesmo assim, acho que me divertiria tentando aprender palavras em sueco, pronunciando os å e os ø, andando por Estocolmo e me sentindo um anão de 1,70 no meio de um povo que tem 1,90 de altura média... Enfim, eu queria ir pra Suécia! Nem que fosse para descobrir bandas e coisas novas de que um dia pessoas que ainda nem nasceram nunca terão ouvido falar.

1 de abr de 2009

CLICK FASHION

Atenção amigas (e amigos) que gostam desses óculos grandões estilo quero-chamar-atenção-mas-não-tenho-força-pra-pendurar-a-televisão-velha-da-minha-vó-na-cara. No caminho de casa para o trabalho de hoje, a pé, pois é quarta-feira, vi no mínimo umas seis mulheres usando (os óculos, não a TV). E, quando alguma moda chega na Vila Olímpia, sabemos, é sinal de que já está fora de moda — apesar de muita gente apontar esses óculos como tendência do inverno 2009. (Mas, até aí, o estilo Caminho das Índias também é tendência...)

Em tempo, aquele lenço palestino já era. Pelamordedeus.

31 de mar de 2009

INFIERNO ASTRAL

Marzo llega a su último día y me duele la garganta. Pero Susan Miller -a quién no debo leer pero ya he leído- dice que abril será un buen mes...

Y es así que los taurinos damos la bienvenida al infierno astral.

¿Qué me van a regalar de feliz cumpleaños?

27 de mar de 2009

MODELANDO

Lu Gimenez disse uma vez pra Ângela Bismarchi que ela (a Ângela) não era modelo p*rra nenhuma. Modelo era ela (a Lu). A Bismarchi, se muito, podia se considerar "modelo de nu".

Pois bem, hoje quem entrou pro rol dos modelos fui eu: como modelo de mão. Estaria aí uma nova vocação pra mim? (Se bem que eu preferia ser qualificado como "modelo de nu" também...)

Mas, por enquanto, fico felizão só de pensar que, na legenda da TV, já podem colocar:

DENIS FRACALOSSI
Editor, empresário e modelo

DANÇA DAS CADEIRAS

"We dance round in a ring and suppose
But the secret sits in the middle and knows"
(Robert Frost)

O Tattu foi pros Estados Unidos e o Guedes está na Austrália. O Márcio também está por lá, na terra dos cangurus. A Letícia está indo morar no Rio e já tem até celular 021. A Fabiola veio de Caracas pra São Paulo, ainda não achou onde morar, não decidiu se vai ficar, mas está aqui. A Raquel continua em Osasco — essa, não tem quem tire de casa. O Lucas já quis voltar pra Joinville. A Telma foi pra Buenos Aires e continua por lá até hoje. Sem falar nos amigos que já foram e voltaram de Londres...

Será que Saturno está brincando de dança das cadeiras e colocando a gente pra protagonizar uma versão na vida real de Bailando Por Un Sueño?

I don't know. Só sei que, falando de sonho, hoje eu sonhei que balançava numa rede suspensa no céu e, como eu tava dentro da rede, com medo da altura, não via a paisagem linda que havia pra olhar. A Fabiola estava do lado de fora da rede, pendurada, sem medo, e voltou extasiada do passeio.

Se Mick Jones já se perguntou isso, por que eu não poderia fazer o mesmo — Should I stay or should I go?

20 de mar de 2009

O MELHOR PRESENTE


Desisto. Juro que estou há mais de cinquenta minutos na frente deste computador tentando escrever um post decente sobre você, mas não está saindo. É muita coisa pra dizer, tem um Hitler me policiando pra não ser brega demais, tem outro Hitler me policiando para ser perfeito, as ideias estão totalmente fora de ordem, você sabe que minha cabeça está no modo centrifugar da lavadora ultimamente, o relógio tá me dizendo pra ir rápido e passar mais cedo na sua casa...

Mas não teria como eu publicar isto aqui sem dizer pelo menos que eu amo muito você.

Mari, vou ser eternamente grato pelas frutinhas que ganhei de sobremesa naquele dia, dez anos atrás. Eram horríveis, você bem sabe, mas como imaginar que um presente muito maior, o mais importante de todos os que eu já ganhei na vida, estava nascendo justamente ali!

Brigadão por você existir. E feliz aniversário!

<3

18 de mar de 2009

O JOGO DO GATO E DA BARATA

Quem é que nunca brincou de gato e barata? A barata é pequena, vem do ralo e é suja. Ela foge fácil, se mete nos buracos e ainda sobrevive se explodir uma bomba atômica. O gato se acha esperto, diz que tem sete vidas, mas come rato, tão ou mais sujo que a barata. Com a barata o gato só brinca. A barata se desespera, antenas balançando e patinhas agitadas. O gato olha e fica no controle. Joga a barata de um lado para o outro, dá patadas e no fim vai embora. Que bicho desprezível. O gato, lógico. Mas quem é que não prefere ser gato? Se bem que às vezes parece que a gente nasceu pra barata.

ACNÉ

Aujourd'hui il sent sa vie comme un gros jaune bouton en train d'exploser. Ça peut être très bon parce que son corps expulsera la bactérie. Mais il y a toujours un peu de sang quand on presse un gros bouton.

13 de mar de 2009

WENDY SULCA

Para animar o fim de semana do meu público e fazer a audiência do blog subir explorando a pobreza, crianças, o duplo sentido nas músicas ruins e tetas, vai aí uma obra-prima da latinidade.

Rola uma excomunhão nesse caso também?

12 de mar de 2009

CINCO SENTIDOS XTREME

Queria saber até que ponto pode ir essa exploração das sensações que temos visto no mercado publicitário recentemente. Imaginem se nos anos 80 seria possível pensar em tomar banho com um sabonete líquido com cheiro de morango com chantilly. Juro que, quando experimentei o de creme de chocolate, fiquei com vontade de comer o sabão. O jeito é não ir ao supermercado quando se está com fome mesmo.

Tem também os produtos com cheiro conceitual: rock star, karma, explosão pink... Mas aí é uma coisa muito mais subjetiva. Até porque o cheiro de uma coisa pra um não é o cheiro da mesma coisa pra outro. Aliás, quem garante que mesmo o cheiro de flores do campo seja igual pra mim e pro meu vizinho? Mesmo assim, tem coisas que têm um cheiro marcante pra gente, e ai de quem discordar! Quem nunca sentiu, afinal, um cheiro de infância, um cheiro de Estados Unidos, um cheiro de quando eu arranquei o dente do siso...

No gênero alimentício, eu me divirto com as coisas que têm gosto de outra coisa com gosto: barra de cereal sabor mousse de goiaba, bolacha sabor torta de limão, biscoitinhos sabor pizza (de quê?). Bom, pelo menos rola uma tentativa de evitar os clichês saborísticos de cada temporada: já foi a época do tomate seco com rúcula, do champignon, da mussarela de búfala, da mussarela de búfala com tomate seco e rúcula. Estamos agora no final da era do alho-poró (e eu aposto no brócolis como próxima vedete, marquem aí).

Enfim, a grande verdade é que não dá pra ter muita ideia de onde isso tudo pode parar. Especialmente se os publicitários resolverem se inspirar naquelas pessoas que têm uma capacidade fora do comum de inter-relacionar os sentidos. Quem sabe na década de 2030 a gente não vai estar tomando banho com um sabonete gasoso com cheiro de Nona Sinfonia ou comendo uma bolachinha com sabor de ventos alísios?

10 de mar de 2009

PROFÉTICO

"A igreja é a pior coisa que a humanidade já produziu. Mas o apocalipse está chegando, graças a Deus."
(Denis Fracalossi)

6 de mar de 2009

QUESTÃO DE RESPEITO

A carta saiu na seção Correio do Guia da Folha de hoje:

"No dia 29/1, na sessão das 17h40 de 'O Curioso Caso de Benjamin Button', no Bristol, permaneci na sala ao final do filme, durante a exibição dos créditos, como tenho o costume de fazer. Senti-me pressionado a deixar a sala, tanto pela equipe de limpeza, que começou o trabalho antes do término dos letreiros, como por outros funcionários, que passavam ao meu lado com cara emburrada ou se posicionando estrategicamente perto de mim. Deixo aqui um pedido para todos os cinemas: respeitem os créditos do filme e, principalmente, aqueles que gostam de permanecer na sala até seu término." (G.S., 24, funcionário público)

A gerente de marketing da Playarte lamentou o desconforto do leitor e prometeu instruir os funcionários do cinema para que situações do tipo não voltem a acontecer.

Mas eu, que vou há dez anos ao Bristol, ao Espaço Unibanco, ao HSBC, ao Reserva Cultural e a tantos outros cinemas de arte de São Paulo, até hoje ainda não entendi uma coisa: por que que algumas pessoas ficam vendo os créditos do filme com cara de conteúdo, como se aquilo fosse realmente parte da obra e merecesse ser respeitada? Aliás, o que seria respeito, nesse caso? Assistir a um monte de nome subindo num fundo preto? E por acaso será que o respeito é tão grande mesmo a ponto de fulano lembrar o nome do assistente de iluminação ou do homem na fila do caixa #5? Haja!

5 de mar de 2009

PÉROLA NEGRA

Vez ou outra somos brindados com verdadeiras pérolas editoriais. Digo verdadeiras porque notícias do tipo "Susana Vieira supera a tragédia pessoal e renasce no Carnaval — Sou como a fênix, sempre ressurjo das cinzas" (revista Conta Mais, 2/3/2009), aparentemente uma pérola, de tão manjadas, chegam a dar vontade de dar um tiro na cabeça. Sem falar no bode que essa Susana Vieira causa. Dia desses li que ela quer ser a Hebe da Globo. Ah, pqp! Tem gente interessada MESMO se ela vai pra Praia da Barra três ou quatro vezes por semana?

Notícia boa é uma que a Mari me mandou hoje, do UOL, dada a excentricidade do tema. Não vou nem falar nada de antemão — vamos a ela, e com comentários, já que é disso que meu povo góishta. (Vou transcrever o texto em vermelho, pra não criar confusão. Mas ele pode ser lido diretamente também neste link; aí, sem os comentários...)

Paulo Betti se encantou por Burkina Faso, o país do cinema na África

Ahn, tem país do cinema na África?

Da Redação

Encravado no noroeste do continente africano, um país com praticamente o mesmo tamanho que o Estado do Tocantins e 14 milhões de habitantes arrebatou o coração de Paulo Betti. Burkina Faso, que faz fronteira com seis países, entre eles Costa do Marfim, Níger e Gana, atingiu seu ponto fraco. "Encantei-me pelo país e sua capital, Ouagadougou, onde, a cada dois anos, todos respiram cinema", diz o artista.

1º: O nome da capital de Burkina Faso. Não tem como não achar engraçado. Tenta falar então! UÁ-GADUGU. Nada mais... africano! Ótimo!
2º: Todos respiram cinema? Meu Deus, eles não devem nem ter o que COMER, como que vão TODOS respirar cinema?

A capital sedia o Fespaco (Festival Panafricain du Cinéma et de la Télévision de Ouagadougou, na língua oficial do país, francês), um evento internacional tão importante que é conhecido como 'Cannes da África'. "É impressionante como em um país pobre, numa cidade pequena da África, a população venere o cinema. Mais impressionante ainda é que nos anos em que não acontece o festival de cinema, tem o de teatro. Não é lindo?"

Cannes da África? Não teria como não ser lindo mesmo... E Gramado (se bem que agora tem festival de cinema em Paulínia), também é Cannes brasileira?

O festival acontece desde 1969. Por isso, Burkina Faso, apesar de ainda ser um dos países mais pobres do mundo, habituou-se a receber muitos turistas, de todo mundo. "A população é muito gentil e adora receber os visitantes.

Mas lógico. Eles precisam do dinheiro dos turistas pra poder COMER...

Há excelentes hotéis e a comida local é muito boa. Meu restaurante preferido é o Le Tan Tan, que serve um peixe delicioso, chamado Captain. Também descobri em Burkina Faso que do gengibre se faz um suco delicioso, que raspa a garganta, mas que é especial para aliviar a sensação de poeira do deserto", diz.

Afff... Gengibre com poeira do deserto. Combinação perfeita!

Paulo conta que quando esteve lá ficou mais concentrado nos filmes, mas que há opções de passeios para ver os animais, como safáris no deserto. "A paisagem é muito bonita. O país está na cabeceira do deserto do Saara".

Quando Paulo Betti esteve lá pela primeira vez, em 2007, filmou o evento e a rotina da cidade na garupa de uma moto, principal meio de transporte dos burkinababes.


Se o nome da capital já era bom, o adjetivo pátrio é melhor ainda! Mas por que não burkinafasenses?

"Imagine que entrevistei o astro Danny Glover sentado no meio fio na calçada. Lá não existe espaço para frescura", conta o ator.

KkkkKkkk... Claro que não! Pensei que não existisse nem calçada!

O resultado do material produzido por Paulo foi o documentário "Tão Perto, tão longe", lançado no Brasil e projetado durante o Fespaco em 2009. O título do filme é uma referência à proximidade geográfica e cultural entre África e Brasil e, ao mesmo tempo, à grande distância quanto à falta de conhecimento recíproco e à dificuldade de acesso entre um continente e outro. "Se olharmos o mapa, veremos que numa viagem de seis horas estaríamos em Ouagadougou. Mas somos obrigados a ir a Paris. Pronto. A viagem passa a ser de dois dias", diz Paulo.

Mas o que que ele quer? Aluga um avião então, filhote! Ou tá achando que a TAM vai abrir voo direto São Paulo—Ouagadougou? Qual a rentabilidade disso?

No continente africano, Paulo Betti também já esteve em Marrakesh, no Marrocos. Paulo adora viajar e tem uma boa lista de lugares incríveis por onde já passou e que foram muito marcantes. Pelo mundo, cita várias cidades na Espanha, como Granada, Nova York, onde morou e estudou durante um ano, e até Tóquio, onde o ator se sentiu 40 anos adiante, enquanto caminhava pelas ruas da metrópole. Já esteve várias vezes na Itália, terra de seus antepassados. "Lá, me irrito e me divirto. Adoro e odeio. Roma é meu lugar predileto".

Aqui faltaram uns ponto-e-vírgulas (prova de que eles têm sim utilidade e de que o jornalista não sabe usá-los). Parece que Nova York e Tóquio também estão na Espanha. Sem falar que "Pelo mundo, cita várias cidades na Espanha" fica particularmente engraçado.

No Brasil, a lista é ainda maior. "Adoro o interior de São Paulo, Ribeirão Preto. Gosto do Piauí, especialmente de um sítio arqueológico chamado Sete Cidades, imperdível. Porto Alegre e Curitiba, com seus sebos, adoro! No Brasil gosto de tudo: Salvador, Juazeiro, Petrolina, João Pessoa, Fortaleza...", enumera.

Paulo Betti é ator e produtor de televisão, teatro e cinema. Iniciou a carreira de ator no teatro na década de 1970 e atuou em diversas peças, novelas e filmes. Na televisão, interpretou personagens célebres como Timóteo, na novela "Tieta", de 1989, e Ramiro, na minissérie "Luna Caliente", de 1999. Atuou em dezenas de filmes, como "A casa da mãe Joana", de 2008, "Zuzu Angel", de 2006 e "Mauá - O Imperador e o Rei", de 1999. Em 2005, estreou como diretor de cinema, com o filme "Cafundó".


Pra mim, esse final é de extrema vitalidade. Não que eu seja um admirador da carreira do Paulo Betti. Longe disso. Mas esse final serve pra lembrar todo mundo de que ele fez Tieta. E, do fundo do meu coração, merece a morte aquele que falar mal de alguém que fez Tieta. A melhor novela da TV ever...

PRÓ-CRISE

Whatahell são essas mensagens do SBT pró-crise? "Com crise se cresce." Nem minha terapeuta consegue ser tão positiva assim.

Vai entender o que se passa na cabeça do patrão. Claro, porque eu não tenho a MENOR dúvida de que os comerciais do SBT são todos criados pelo SS em pessoa!

4 de mar de 2009

A UTILIDADE DOS BLOGS

Um dos tipos de conversa que eu mais gosto de ter é aquele em que parece que os interlocutores estão absolutamente chapados, quem apenas acompanha acha engraçado mas não entende muita coisa, e quem fala, mais do que teoriza, chega a sentir as coisas acontecendo. E ontem no MSN eu tive um diálogo bem rápido desses com a Shirley, que trabalhou comigo na revista que quer dominar o mundo há longínquos 11 meses... Mais do que qualquer coisa, a conversa acabou sendo importante para achar uma utilidade pro blog (afinal, como eu disse na entrelinha do primeiro post de ontem, um blog também não passa de mais uma das abstrações do ser humano).

Ao que interessa. Eu estava mega-apressado para ir pra casa quando ela se conectou e me cumprimentou. Aí eu respondi bem rápido e, em muito pouco tempo, chegamos ao assunto "meu carro está na oficina". Ela me perguntou então detalhes da batida, e eu disse pra ela que estava indo embora, mas que tinha um texto no meu blog sobre isso, que ela podia ler por lá (por aqui). E foi assim que começou a divagação sobre a utilidade do blog: você pode relatar as coisas que acontecem com você ou as coisas que você pensa (como este mesmo post, inclusive) e depois, em conversas futuras, apenas passar o link de cada um desses pedacinhos da sua cabeça. Mais ou menos assim:

Shirley: E aí, Denis, tudo bem?
Denis: http://blogdodenis.com.br/o-dia-em-que-nao-esta-tudo-bem-porque-bati-o-carro

Óbvio que, mais pra frente ainda, especialmente quando as pessoas têm muitas dúvidas recorrentes, como é o caso de todo mundo, as próprias perguntas poderão vir como URLs também:

Shirley: http://blogdashirley.de/sera-que-vai-chover-hoje
Denis: http://blogdodenis.com.br/link=previsao-do-tempo-nas-capitais-do-meu-brasil
Shirley: http://blogdashirley.de/queria-tanto-ir-pra-praia
Denis: http://blogdodenis.com.br/link=www.companhia-aerea.com.br/compre-passagem-para-a-bahia

E eis que assim a revolução vai sendo televisonada — os blogs todos hospedados no Google —, sem que a gente nem sequer se dê conta do que acontece. Ou vocês já pararam para pensar que foi a gente mesmo quem trouxe uma câmera pra dentro de casa para nos filmar?